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Alô, redacção do Notícias de Viseu?

O Notícias de Viseu auto-intitula-se como o "O jornal com maior Audiência do Distrito de Viseu", o que lhe empresta ecos daquelas saudosas noites do Festival RTP da Canção em que o Fialho Gouveia ligava sucessivamente para as redacções dos jornais de cada distrito que, em chamadas telefónicas roufenhas, respondiam com as pontuações para cada música a concurso. Mas chega de memórias longínquas.

Aqui há umas semanas um leitor deixou um comentário neste blogue perguntando quem tinha, afinal, escrito o texto "O Ideal Universitário", que saiu no Público de 11 de Abril deste ano, a propósito do caso UnI. Estranhei a pergunta: como é evidente, fui eu que escrevi o texto. Todas e cada uma das palavras dele. Mas junto ao comentário vinha um linque que dava para uma página internet do Notícias de Viseu. E nessa página internet estava um texto chamado "O Ideal Universitário". E nesse texto todas e cada uma das palavras, da primeira à última, eram iguais às que eu tinha escrito, na mesma ordem e com a mesma pontuação, com um parágrafo a menos. Tudo era meu, excepto o nome: o texto vinha assinado por A. Amaral. Certamente uma alma gémea. O senhor (ou senhora) Amaral (António? Ana?) acha as mesmas coisas que eu, da mesma forma e exactamente seguindo o mesmo processo mental.

O meu texto saiu no Público de 11 de Abril e está no disco duro do meu computador como tendo sido escrito na véspera. O texto de "A. Amaral" saiu no Notícias de Viseu de 2 de Maio seguinte. Como é evidente, se o Notícias de Viseu gostou do meu texto, bastava terem escrito a pedir para o publicar.

Em suma, só há três hipóteses para esta coincidência:

1: A. Amaral escreveu um texto igual ao meu, por acaso, três semanas depois do meu ter sido publicado.
2: Eu fui ao futuro roubar o texto de A. Amaral (é uma técnica que uso quando estou desinspirado). Acrescentei um parágrafo a mais para disfarçar.
3: A. Amaral ou alguém do Notícias de Viseu veio ao passado copiar o meu texto. Tirou um parágrafo para caber no espaço disponível.

Uma das hipóteses é altamente improvável. A outra parece que é impossível, não se sabe se física ou tecnologicamente. Como não quero ser chato, deixo ao Notícias de Viseu e aos leitores a identificação da hipótese que sobra.

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