« Sonsão de Carvalho | Main | Desesperadamente procurando atenção »

A política da intimidação

[do Público]

Na verdade, já acabou o tempo em que o estilo de Alberto João Jardim beneficiava a Madeira; hoje em dia Alberto João é um peso-morto que perdeu a batalha das finanças regionais, não tem amigos nem aliados, não consegue sair de cena por cima.

E eis que em pleno Carnaval, — apropriadamente — Alberto João Jardim se demitiu de chefe do governo regional da Madeira para logo se voltar a candidatar ao mesmo cargo. Implicitamente, admitiu que a realidade política em que ele se movia mudou de forma radical. Explicitamente, a mensagem que quer fazer passar é a de que só admite jogar segundo as suas próprias regras. Vejamos cada um dos aspectos.

Alberto João Jardim não é um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Alberto João Jardim apenas parece um brutamontes agressivo que diz tudo o que lhe passa pela cabeça. Essa imagem é crucial para os seus intentos. Nos intervalos, Alberto João Jardim pode ser manobrista, sedutor, surpreendente, um encanto de pessoa. Esta versatilidade permitiu-lhe sempre navegar na política nacional, com algum risco é certo, mas dividendos incomparáveis. Entalou os políticos nacionais e comprou o consenso dos madeirenses. Governou uma região como quis, com os recursos que quis, durante o tempo que quis. Nenhum outro político português se pode gabar do mesmo.

Subitamente tudo mudou. Sócrates foi eleito não apenas com maioria absoluta, mas uma maioria absoluta que dispensa os votos madeirenses. Não só Sócrates não precisava de Alberto João Jardim, como nem precisa de se preocupar com a eventualidade de vir a precisar. Foi aí que a arte da intimidação, em que Alberto João Jardim se especializara, deixou de funcionar.

Em que consiste a arte da intimidação? Em deixar os outros permanentemente suspensos, receosos das nossas atitudes. Tudo em Alberto João Jardim, desde a linguagem corporal à retórica, denuncia alguém que se compraz em meter medo aos outros. Quando Alberto João se “porta mal”, pode enxovalhar, insultar, ameaçar. Quando Alberto João se “porta bem”, o que faz nos intervalos, sorri, brinca, lisonjeia. Mas mesmo aí os seus interlocutores continuam encolhidos, à espera da pancada. Alberto João Jardim manipula-os, prolongando o gozo, deixando-os na ignorância de quando virá o próximo acesso de agressividade criteriosamente gerido e encenado. Por isso os madeirenses que o rejeitam se calam em público e os que o apoiam o louvam o mais que podem. Por isso os líderes do PSD vão à Madeira a medo, receando que ele lhes prepare alguma surpresa. Por isso os jornalistas o entrevistam a medo, com receio de desencadear uma fúria. Se ele estiver virado do avesso, salve-se quem puder. Se ele estiver um doce, pior ainda: não se pode relaxar.

Esta manha da tensão permanente serve-lhe para ocultar algumas coisas. Na verdade, já acabou o tempo em que o estilo de Alberto João Jardim beneficiava a Madeira; hoje em dia Alberto João é um peso-morto que perdeu a batalha das finanças regionais, não tem amigos nem aliados, não consegue sair de cena por cima. Na verdade, Alberto João Jardim apresenta os continentais como ladrões e os seus rivais madeirenses como traidores precisamente para esconder que ele, hoje, prejudica mais do que auxilia. Na verdade, a Madeira teria a ganhar em ver-se livre de Alberto João.

Na verdade, só há uma maneira de enfrentar a política da intimidação: não se deixar intimidar.

Comments

Eu gosto muito de o ler, Rui Tavares. Mas dado o visual deste blog, você parece que quer dificultar-nos a leitura. Tipo: só lêem os gajos que estiverem mesmo interessados. As letras do cabeçalho estão sobrepostas, o texto está todo à esquerda do écran, e não tem alinhamento. Ou será só do meu computador?

Só por curiosidade, caro Raul: qual é o sistema e o programa que usa? Pode ser que eu consiga deslindar o que se passa.

Obrigado pelo aviso e pela atenção. Um abraço.

Dei-me conta posteriormente de que o descrito só acontece quando acedo através do Feedreader. Quando acedo directamente não há problema.

Analisando de novo o problema: o descrito acontece também quando acedo a uma notícia em concreto clicando no link existente na hora de publicação. Não há problema com a main page.

Jo pienso que si Alberto Joao saliera del poder, se descubriria todas sus falcatruas.

Os madeirenses tendrian una vida mais tranquilha, con libertad de expresion,

Pero va a ser un cambio radical para toda la gente que esta en su puesto de trabajo gracias a las cunhas, como se va a resolver ?
Van a quitar a los no validos y poner esos puestos a concurso ?

Post a comment