A Senhora da Agonia
Provavelmente para demonstrar que não é um engraçadinho, Pacheco Pereira verbera o que chama de derrotismo:
«Lendo a imprensa impressiona como é cada vez mais forte o derrotismo puro, em versões brutas ou sofisticadas, mas derrotismo [...] mil e uma variantes do better red than dead circulam por aí. A forma mais peculiar do derrotismo é a de achar que tudo está mal, mas também não há nenhuma receita para ficar bem. Os que agem (EUA, Reino Unido, Israel) fazem tudo mal e só agravam o problema; os que não agem (França. UE, “comunidade internacional”, ONU) fazem também tudo mal porque não agem. Bem faz o Irão, o Hezbollah, a Al Qaida, o Hamas, e, numa versão mais caseira, os émulos de Zapatero.Isto vai durar sempre? As minhas últimas reservas de optimismo alimentam debilmente a esperança de que não, em grande parte por um argumento ad terrorem: as coisas ainda vão piorar muito, muito mesmo, e pode ser que a catástrofe possa ser salvadora. Não é garantido, mas é uma esperança.»
O tom apocalíptico, por certo, não espantará ninguém: o forte de Pacheco Pereira está precisamente em ser uma Nossa Senhora da Agonia com barbas. Mais curioso é ver que aqueles a quem Pacheco Pereira chama derrotistas sejam, numa análise mais cuidada, os que não quiseram a guerra do Iraque nem acharam que ela tivesse algo que ver com o terrorismo, ou seja, derrotistas são precisamente os que não foram derrotados.
O que chega a dar um arrepio na espinha é a forma como Pacheco Pereira literalmente põe as suas esperanças em novo terror, muito terror, para que todos vejam como tem razão e se juntem a ele na ressaca de uma "catástrofe salvadora". Ter-se-á dado conta do que escreveu? Assim de memória, não me lembro de ver maior confissão de insegurança (e derrota) do que alguém depositar as suas "últimas reservas de optimismo" na esperança de que bin Laden lhe proporcione uma tragédia que lhe salve os argumentos.