Matematicamente
N'A Praia, o Ivan Nunes comenta assim a posta camoniana de aí abaixo:
"É claro que gostoso é uma palavra muitíssimo comum entre nós. Talvez a embirração seja com «gostosa», no sentido de «boazona»: isso, sim, seria uma importação do Brasil. E, na minha impressão, não das mais felizes."
Discordo. Camões sabia o que fazia. Olhemos para a palavra pelo que ela vale. A probabilidade de perdido no Oriente Camões se ter perguntado qual era mais gostosa, se Dinamene se Bárbara, aproxima-se de um. A probabilidade de ter respondido que uma era mais boazona que outra é, matematicamente, zero.
Porquê?
Resposta neo-platónica: o critério aqui não é o da bondade; é o do gosto mesmo.
Comments
Gostoso era ver-te de novo em força na blogosfera. A atacar e a ser atacado... que saudades do Barnabé!
Posted by: césar de carvalho | junho 6, 2006 08:55 AM
Ao passo que para um espanhol o critério seria o da riqueza...
Posted by: Andre | junho 6, 2006 10:45 AM
Camões seria então mais provador que generoso, a estória do olho vazado ainda poderá estar por contar, e a descalça que vai para a fonte com a vasquinha de cote pode ter inúmeras leituras. Ah grande guloso, por que te viraste para oferecer belas palavras ao ambíguo Sebastião ao invés de aprofundares a via sifilítica?
Posted by: pedro vieira | junho 6, 2006 10:47 AM