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Matematicamente

N'A Praia, o Ivan Nunes comenta assim a posta camoniana de aí abaixo:

"É claro que gostoso é uma palavra muitíssimo comum entre nós. Talvez a embirração seja com «gostosa», no sentido de «boazona»: isso, sim, seria uma importação do Brasil. E, na minha impressão, não das mais felizes."

Discordo. Camões sabia o que fazia. Olhemos para a palavra pelo que ela vale. A probabilidade de perdido no Oriente Camões se ter perguntado qual era mais gostosa, se Dinamene se Bárbara, aproxima-se de um. A probabilidade de ter respondido que uma era mais boazona que outra é, matematicamente, zero.

Porquê?

Resposta neo-platónica: o critério aqui não é o da bondade; é o do gosto mesmo.

Comments

Gostoso era ver-te de novo em força na blogosfera. A atacar e a ser atacado... que saudades do Barnabé!

Ao passo que para um espanhol o critério seria o da riqueza...

Camões seria então mais provador que generoso, a estória do olho vazado ainda poderá estar por contar, e a descalça que vai para a fonte com a vasquinha de cote pode ter inúmeras leituras. Ah grande guloso, por que te viraste para oferecer belas palavras ao ambíguo Sebastião ao invés de aprofundares a via sifilítica?

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