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Duas da tarde

A esta hora, os lisboetas de 1755 já tinham passado por um terramoto em três actos – três golpes sísmicos muito próximos que no seu conjunto não duraram nunca menos de sete minutos. Cerca de hora e meia depois "a maré subiu e desceu três vezes" – esta foi a forma coomo intepretaram as tsunami que quase cobriram a fortaleza do Bugio e avançaram Tejo adentro destruindo os casarios ribeirinhos de uma da outra margem. Já uma réplica do sismo, por volta do meio-dia, tinha lançado os sobreviventes por terra, enquanto se fugia da cidade arruinada para os campos de Ourique, Santa Clara, Pequeno ou Grande. Agora os fogos começavam a ser a maior preocupação. Viu-se arder a igreja de São Domingos, o palácio do Marquês de Louriçal, e logo nos lugares mais dispersos da baixa surgiam dezenas de outros fogos. Nos seis dias seguintes juntar-se-iam num único incêndio que, aí sim, destruiria a Baixa para sempre. A "nossa" Baixa é outra coisa na mesma localização. A Baixa de 31 de Outubro de 1755 foi perdida.

Comments

bela notícia
parabéns pelo livro
assim que puder
vou comprar

Para começar, a embalagem da edição ilustrada seduziu-me o que já não é coisa rara nestes dias.
Pelo que já espreitei a tutano também me parece no mínimo interessante.
Comprado na Baixa, numa cave povoada por gentes dos quatro cantos do mundo (hoje destaquei um ministro de um país lusófono situado nos antípodas), de noite, no 1º dia de Novembro de 2005, à hora de maior afluência do dia em algumas igrejas da Baixa, ou seja, por volta das 19h/20h.

Há um não a mais algures na primeira frase do comentário anterior.

Achei uma excelente ideia. Vou a dar uma saltada numa qualquer livraria para confirmar se o livro vale mesmo a pena. Estou esperançoso que sim, pois escasseiam livros sobre este tema em particular. Fiz uma referência a este blogue no meu para que mais pessoas possam ter conhecimento de tal espaço - e livro, já agora.

Cumprimentos,

JLT

Parabéns, Rui! Duplamente: pelo livro que, afastado por férias, ainda não pude espreitar; e pelo blogue, um upgrade da delícia gráfica (entre outras) que era o Barnabé! Um abraço! MM

Em primeir lugar, parabéns pelo livro!

Em segundo lugar, parabéns pelo blog, boa idéia!

Por fim, uma dúvida: por acaso não é no História do Cerco de Lisboa que fala sobre o Grande Terremoto? Não consigo lembrar...

Um abraço!

Orgulhosa Maria - Rock e blues das antigas!

Já tinha saudades de te ver na blogosfera, Rui.
Bom regresso.

[Já estou a ler o livro, em prestações, entre o Sebald e o Vila-Matas.]

Parabéns e obrigado!